Remédios para dormir, com a Neurologista Giuliana Macedo Mendes

Remédios para dormir, com a Neurologista Giuliana Macedo Mendes

Para algumas pessoas, conseguir ter uma boa noite de sono é, na verdade, um verdadeiro martírio; é, nesse momento, que os remédios para dormir entram em cena. No entanto, esta é uma prática que requer muito cuidado, já que alguns desses medicamentos podem causar sérios efeitos colaterais.

Convidamos a Neurologista Giuliana Macedo Mendes, Presidente da Associação Regional do Sono do Centro Oeste, para uma entrevista sobre o assunto e, veja só, que grata surpresa: estamos justamente em plena Campanha Nacional do Sono. Segundo a especialista, este ano a ação carrega o seguinte tema: “Não dê carona ao sono” e o seu objetivo principal é reduzir o número de acidentes de trânsito, decorrentes de sonolência ao volante.

Voltando à nossa pauta, veja o que a doutora Giuliana tem a dizer sobre o remédio para insônia:

Giuliana Macedo Mendes – Neurologista e Presidente da Associação Regional do Sono do Centro – Oeste – CRM – GO 7375

Aurélia Guilherme – Milhões de pessoas sofrem de insônia e recorrem aos remédios “tarja preta” para dormir. Porém, quais os danos dessa prática?

Dra. Giuliana Macedo Mendes – Os remédios “tarja preta” para dormir são chamados de hipnóticos benzodiazepinicos e, se usados cronicamente, por mais de 6 meses, podem levar à dependência física e psicológica, além de provocarem alguns efeitos colaterais indesejáveis, tais como sonolência diurna, comprometimento da memória e, no caso dos idosos, aumento do risco de queda.

Aurélia Guilherme – Qual a diferença entre os hipnóticos, tranquilizantes e os indutores do sono?

Dra. Giuliana Macedo Mendes – Hipnóticos são remédios que induzem o sono. Temos duas classes: os benzodiazepinicos ( tarja preta) e os não benzodiazepinicos, que não são “traja preta” e nem apresentam os efeitos colaterais indesejáveis dos benzodiazepinicos. Tranquilizantes são medicamentos ansiolíticos, que melhoram a ansiedade e que também podem causar sedação. Já, os Indutores do Sono são os próprios hipnóticos.

Aurélia Guilherme – Em que situações os hipnóticos não benzodiazepinicos são necessários?

Dra. Giuliana Macedo Mendes – Os medicamentos hipnóticos não benzodiazepinicos são indicados para Insônia, como primeira escolha, pois preservam a arquitetura (qualidade) do sono e não levam a sonolência no dia seguinte, além de não afetarem a memória.

Aurélia Guilherme – Os remédios para dormir viciam? Como deve ser a retirada deles da rotina noturna?

Dra. Giuliana Macedo Mendes – Sim, se falarmos dos hipnóticos benzodiazepinicos. Eles podem causar dependência, sim. Para deixar de toma-los, é necessário que isso seja feito de uma forma lenta, sob orientação médica, para avaliar qual a melhor maneira e velocidade de retirada.

Aurélia Guilherme – Qual a sua opinião sobre os suplementos, como a Melatonina, por exemplo?

Dra. Giuliana Macedo Mendes – A Melatonina é uma medicação natural indicada em duas situações: para trabalhadores de turno, que precisam trabalhar à noite e dormir de dia. Nesse caso, ele deve ser tomada antes de dormir, pela manhã. Uma outra condição em que a melatonina pode ser indicada, é para situações de Jet-Leg, quando viajamos para países com fuso horário diferente, ela auxilia na adaptação ao novo horário.

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